21 de janeiro de 2015

episodes

Apetece-me focar em episódios e episódios sem fim, focar em qualquer coisa e ter espetativas que tudo o que está dentro de um episódio pode ser realmente a realidade de alguém. Mas, tento utilizar esta técnica para acontecimentos indesejados da minha vida durante o dia, desde o caminho entre os andares e os corredores, como a subida e descida dos elevadores enquanto existe tanta gente a espera para o mesmo. A jornada tem sido difícil até aqui e cada vez mais difícil se torna quando caminhamos todos para o fim. Cada vez é mais insuportável qualquer dor que faça buraco no mesmo sítio, pois vai sendo uma ferida cada vez mais funda e cada vez é mais complicado de sacatrizar ou até nunca será possível que tal aconteça. Quando me lembro destas coisas tento não pensar muito em mim e lembro-me da minha mãe que passa 86400 segundos por dia naquela cama sem poder muito sair dali ou sequer mexer-se demais. Aí tenho medo, tenho muito medo e o buraco da ferida fica ainda mais fundo como se atravessasse o meu corpo de um lado ao outro só de pensar que é a única pessoa que tenho no mundo e posso perdê-la. Afundo-me mais uma vez nestes pensamentos e na tristeza que tem vindo a ser arrastada ao longo dos anos, entre a morte do meu pai e as infinitas doenças da minha mãe acabo por perceber que vou ficar sozinha no mundo mais depressa do que tive tempo para pensar em tudo o que se passou na minha vida até ao ultimo pormenor.
A angústia de viver o tempo todo com o medo de viver sozinha vai acabando comigo aos poucos e saber que pior do que isto ainda esta por vir consome-me.
Enquanto isto tento parecer uma pessoa feliz, uma pessoa normal que nunca passou nada na vida e esta a descobrir tudo à medida que o tempo passa, mas nada disto é verdade já sei a parte má da vida, não sei tudo, mas parte dela, mas ninguém me leva a sério e sou tratada como se tivesse ainda os meus 6 anos e que não compreendo nada a minha volta. E enquanto as pessoas me vão tratando assim ninguém me pergunta como estou, o que sinto, toda a gente pensa que tenho que ser forte, aguentar tudo, engolir e sorrir como se nada se passasse, então eu faço essa ultima parte, sorrio enquanto o meu coração vai desacelerando aos poucos e é como se alguma coisa se estivesse a partir dentro de mim, como um espelho, e é impossível colar todos os pedaços um por um.
Então, pego noutra série e vejo outro episódio, pois tudo o resto vai ficar igual.